Dr Dráuzio Varela - Doação de Medula Óssea



Bom dia a todos!

Segue abaixo entrevista do Dr. Dráuzio Varela sobre Doação de Medula Óssea. Vejam como é fácil e simples. Não há com que se preocupar. O seu gesto pode salvar uma vida. Faça de coração. Pois muitas vidas dependem de um pequeno gesto.



Doação de medula óssea

Dra. Carmen Vergueiro é médica hematologista e trabalha na Santa Casa de São Paulo. Dra. Juliana Serro é membro da AMEO (Associação de Medula Óssea).

Muita gente confunde transplante de medula óssea com transplante da medula espinhal. Infelizmente, não se domina ainda a tecnologia necessária para transplantar um fragmento que seja da medula espinhal, isto é, da porção do sistema nervoso central que passa por dentro do canal localizado na coluna vertebral.

Quando se fala de transplante de medula óssea, estamos nos referindo a um procedimento clínico que possibilita retirar parte da medula alojada na cavidade interna de vários ossos, aquela parte que no esqueleto dos bovinos, por exemplo, chamamos de tutano.
A medula óssea é formada por tecido gorduroso no qual são fabricados os elementos figurados do sangue: hemácias ou glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

No entanto, ela pode entrar em falência e não ser mais capaz de produzir as células do sangue ou pode ser destruída completamente durante o tratamento de determinados tipos de câncer que exigem altas doses de medicamentos quimioterápicos e/ou de radioterapia. Em situações como essas, o transplante alógeno de medula óssea pode ser a única maneira de salvar muitas vidas.

O procedimento é bastante simples. Colhe-se uma pequena quantidade de células progenitoras da medula óssea do doador e injeta-se no sangue periférico, na veia do receptor. Através da circulação, essas células atingirão o interior dos ossos, lugar onde mais gostam de viver, começarão a multiplicar-se e retomarão a atividade de produzir os componentes do sangue. Em pouco tempo, o doador terá recomposto completamente sua medula óssea e, se quiser, estará apto para uma nova doação.

Embora simples e possível de ser feito, esse procedimento esbarra num grande problema. Como se sabe, o organismo tem a capacidade de rejeitar tecidos que lhe são estranhos. No caso específico do transplante de medula óssea, essa rejeição tem características muito especiais que dificultam encontrar um doador compatível.

DOADORES COMPATÍVEIS

Dráuzio – Que chance tem de conseguir um doador a pessoa que necessita de um transplante de medula óssea?

Carmen Vergueiro – A possibilidade maior é encontrar um doador entre os irmãos. Como se trata de herança genética, a chance de ser compatível é de 25% por irmão. Portanto, quanto mais irmãos houver, maior a probabilidade de um encontrar um doador nesse grupo familiar.
Atualmente, porém, a tendência é existirem famílias cada vez menores. Por isso, entre 60% e 70% dos pacientes que necessitam de um transplante de medula óssea não encontram doadores entre os familiares e precisam tomar outras providências.

Dráuzio – Pai e mãe não servem?

Carmen Vergueiro – Não servem. Como o pai passa metade da herança genética e a mãe outra metade, eles são o que se chama de haploidênticos, pois têm apenas metade da informação genética do filho.

DOADORES VOLUNTÁRIOS

Dráuzio – Você disse que a chance de conseguir um irmão como doador compatível é de 25%. Portanto, em cada quatro irmãos apenas um teria medula compatível. Se estendermos a busca entre os parentes, de 7% a 10% dos doentes conseguem encontrar um doador adequado. O que acontece com os outros?

Carmen Vergueiro – Os outros têm de recorrer aos registros de doadores voluntários, pessoas que se dispõem a doar uma pequena parte de sua medula óssea para qualquer paciente que necessite de um transplante desde que seja compatível com ele.

Dráuzio – O que precisa fazer um doador voluntário de medula óssea?

Carmen Vergueiro – Primeiro, o doador voluntário precisa preencher um cadastro e colher uma amostra de sangue para um teste de compatibilidade (HLA). O resultado obtido por meio de um exame de laboratório bastante comum é colocado num banco de dados do Ministério da Saúde, o REDOME (Registro dos Doadores de Medula), no Rio de Janeiro. Sempre que houver um paciente que necessite de transplante e não tenha encontrado doador na família, os médicos podem consultar esse registro. Uma vez localizada uma pessoa compatível, ela será convocada para realizar novos exames de sangue e para uma avaliação clínica a fim de saber se pode de fato doar a medula.

Dráuzio – A pessoa doa uma amostra de sangue, preenche um cadastro e volta para casa, mas pode acontecer que nunca seja chamada.

Carmen Vergueiro – Imagina-se que em cada dez mil pessoas registradas, apenas uma será doadora, porque a probabilidade de encontrar alguém compatível fora da família é muito pequena.

Dráuzio – Vamos supor que eu necessite de um transplante de medula óssea. Você testa as pessoas de minha família e não encontra nenhum doador compatível. Qual a minha chance de conseguir uma medula compatível na população como um todo?

Carmen Vergueiro – Varia de uma para dez mil a uma para um milhão, dependendo de sua herança genética. Se for um tipo mais frequente, sua chance é uma em dez mil. Se for raro, será uma em um milhão. De qualquer modo, é sempre difícil encontrar um doador compatível.

Dráuzio – Para montar esse arquivo, o sangue dos doadores voluntários é colhido no Brasil inteiro?

Carmen Vergueiro – O sangue é colhido nos hemocentros dos diversos estados. O processo é bem simples. O doador vai ao hemocentro mais perto de sua casa, colhe uma amostra de sangue e preenche um cadastro. Essa amostra é enviada para um laboratório de histocompatibilidade, que faz um exame e envia o resultado e os dados do doador para o REDOME, no Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, onde fica centralizada a informação obtida no Brasil inteiro. Se um paciente precisar de transplante, realiza-se uma busca nesse cadastro para ver se existe alguém compatível.

Dráuzio – Quem pode ser doador de medula óssea?

Carmen Vergueiro – Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, em bom estado de saúde, pode ser doadora de medula óssea. Não existe nenhum outro critério para exclusão.

Dráuzio – Como os potenciais doadores se comportam ao saber que basta tirar uma amostra de sangue e preencher um cadastro para fazer parte do REDOME?

Carmen Vergueiro – O desconhecimento sobre a doação de medula óssea é enorme. Quando as pessoas são informadas de como é fácil ser doador voluntário ficam surpresas. Não podiam imaginar que doar a medula óssea fosse simples nem que pudesse ser feita em vida. Não sabiam que ela se reconstitui, se regenera em pouco tempo. Nesse campo, a falta de informação é o principal problema.

REAÇÂO DOS DOADORES

Dráuzio – Juliana, quando vocês tentam convencer as pessoas a se cadastrarem como doadoras de medula óssea, quais são as dúvidas mais frequentes?

Juliana Serro – As pessoas costumam confundir medula óssea com medula espinhal e temem ficar paraplégicas caso façam uma doação da medula óssea. Outra dúvida é se a medula óssea pode ser doada mais de uma vez. Explicamos que, como a medula se recompõe após a doação, a pessoa pode doá-la tantas vezes quantas sejam necessárias, o que não é comum tendo em vista a dificuldade de servir como doadora.
No entanto, se doar pelo REDOME e, mais tarde, descobrir que um parente seu precisa de sua medula, ela pode doar novamente sem nenhum problema.

Dráuzio – Na verdade, essa medula que foi doada não faz falta nenhuma para o doador.
Juliana Serro – Não há prejuízo nenhum para o doador, já que a medula se recompõe em poucos dias.

Dráuzio – A pessoa perde muito tempo para fazer isso?

Juliana Serro – Não perde. Em 15, 20 minutos no máximo a pessoa consegue cadastrar-se como doadora. É rápido e o horário de atendimento bastante amplo. Vai das sete horas da manhã às seis da tarde durante a semana e, aos sábados, das sete às quinze horas. É muito pouco tempo diante do benefício que ela estará prestando a quem depende do transplante de medula óssea para viver.

Dráuzio – Já aconteceu de alguém se ter cadastrado e desistido na hora em que foi convocado para doar a medula?

Juliana Serro – Às vezes, acontece. As pessoas se cadastram por impulso sem estar bem informadas e conscientes do que estão fazendo. Algumas, quando são reconvocadas dizem – “Ah, pensei melhor… acho que vou desmaiar ou minha mãe não me deixa…”.

Por isso nosso esforço é para que as pessoas se inscrevam sabendo o que estão fazendo e tendo consciência da importância gesto. Como demora em média três meses o processo de busca até chegar ao doador e coletar a medula, a desistência pode representar a perda de um tempo que o paciente não mais dispõe na vida.

Dráuzio – É importante deixar claro que a doação de medula é desprovida de qualquer complicação e que podemos doá-la sem que nos faça nenhuma falta.

Carmen Vergueiro – Doar a medula óssea é um procedimento simples que pode salvar vidas. A doação não traz nenhum risco para o doador, pois em pouco tempo sua medula estará completamente regenerada.

Amem! Fiquem todos com Deus.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Campanha Hemocentro Santa Casa de São Paulo - 24/06/2017

Fotos Campanha Hemominas Poço Fundo - MG dia 28/09/2016